Tizuka defende parceira
Palestrante de evento dekassegui, cineasta enaltece laços culturais de Brasil e Japão.
Ao fazer a palestra de encerramento do 3º Congresso Brasileiro sobre
o Movimento Dekassegui, promovido pelo Serviço Brasileiro de Apoio às
Micro e Pequenas Empresas (SEBRAE) no Hangar – Centro de Convenções do
Estado, a cineasta Tizuka Yamazaki enalteceu o empreendedorismo dos
imigrantes japoneses que cruzaram o mundo para fazer a vida no Brasil
e, também, dos Dekasseguis brasileiros que, em movimento inverso, foram
fazer renda no Japão para, em seguida, abrir empreendimentos no País
sulamericano. “Não há motivo para se ter vergonha de ser Dekassegui”,
observou. Para a Cineasta, os Dekasseguis aprendem muito com o vinculo
entre os dois países.
A uma platéia formada por descendentes nipônicos a paraense de uma
maneira geral, Tizuka Yamazaki ressaltou a coragem dos imigrantes
japoneses que deixaram o seu País de origem. Esses primeiros
empreendedores, somente tomaram essa iniciativa, segundo a cineasta,
porque naquela época (primeira metade do século XX) não havia muitas
alternativas para se obter renda, e os imigrantes foram incentivados a
sair do Japão para outros centros. “Como se fosse uma espaçonave para
Marte, um lugar de onde não se tem notícia, não se sabe nada, mas eles
vieram sem recursos, sem informação”.
Yamazaki lembrou que ainda hoje no Japão em outros países, como os
Estados Unidos, quando alguém fala que é brasileiro pergunta-se sobre
cobras, indígenas, onça nas cidades, por não se ter informação sobre o
País. Quando muito, ressaltou, sobre futebol e carnaval. “Imagina isso
há 100 anos”, disse Tizuka, referindo-se aos imigrantes japoneses que,
ao chegar ao Brasil, tiveram de conviver com uma “língua e comida
estranhas”. Por isso, os brasileiros descendentes de japoneses
(nisseis, por exemplo) carregam uma dúvida: manterem-se fechados ou
não. Nesse contexto, costuma-se pensar que tudo o que é ruim no Japão é
bom para o Brasil e vice-versa, como disse Tizuka. Mas a aproximação e
as experiências nas duas culturas contribuem em muito com os
brasileiros e japoneses dekasseguis ou não. Bem-humorada, observou que
o descendente japonês anda arrastando o pé, o que é um traço da
comunidade nipônica. “A pessoa que vai ao Japão não deve ter vergonha
disso, porque ela gera US$ 2,5 bilhões ao Brasil”, finalizou.
Fonte:
Amazônia Jornal
08/09/2007